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30/03/2007 - EMPREGO EM BAIXA
Ao ser indagado sobre a redução do número de empregos com carteira assinada criados em fevereiro e no primeiro bimestre deste ano, em comparação com os mesmos períodos de 2006, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, exibiu a costumeira tranqüilidade que caracteriza os integrantes do primeiro escalão do governo federal sempre que lhes são cobradas explicações sobre os mais diversos assuntos.
Não importa se há seis meses o sistema de aviação civil encontra-se à beira do caos, se as exportações de carnes foram suspensas porque a febre aftosa atingiu rebanhos que deveriam ter sido vacinados com verbas federais, ou se o Plano de Aceleração do Crescimento não sai do papel, em qualquer caso o Planalto exibe a serenidade de quem navega em mar de almirante.
No que tange à redução no ritmo de criação de novos postos de trabalho, o ministro contrapôs o argumento de que a queda registrada em fevereiro teria se dado porque foram muitas as contratações em janeiro, em razão do grande número de feiras e eventos turísticos realizados naquele mês, numa antecipação das contratações que deveriam ter ocorrido em fevereiro mesmo.
Ou seja, os números são preocupantes, eis que o Brasil patina há anos numa taxa de desemprego em torno dos 10%, mas a realidade, segundo o Planalto, seria a de que estamos melhorando, a despeito da agressão à aritmética - os 148 mil empregos com carteira assinada criados em fevereiro representam uma queda de 16,2% em relação aos 176,6 mil criados em fevereiro de 2006.
O governo federal pode até insistir em querer retratar ao país um avanço célere da economia em direção ao primeiro mundo.
Mas tal estratégia, se já não surtia grande efeito ao final do primeiro mandato, mormente entre as camadas mais esclarecidas, agora vem perdendo sentido.
A maior parte dos brasileiros sente na carne as conseqüências de uma economia regulada e freada por força dos juros escorchantes, da tributação asfixiante, da escassez de medidas que possam alterar uma realidade que nos coloca perto da estagnação. Se o governo pretende comemorar a criação de muitos postos de trabalho, não deve depositar todos os ovos na cesta do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), mesmo porque esta cesta, na realidade, ainda nem foi fabricada.
Para ampliar o emprego o governo deveria oxigenar as empresas por meio da redução dos juros e da burocracia, pela adoção de medidas que estimulem a exportação e a competitividade, inclusive cambiais, pela redução do tamanho da máquina pública, pela revisão da legislação trabalhista e pelo estabelecimento de marcos regulatórios que eliminem a insegurança jurídica e permitam a participação da iniciativa privada em empreendimentos infra-estruturais. Nada disso estamos vendo.
Fonte: DC
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