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30/03/2007 - GOVERNO ELETRÔNICO
Muito tem sido dito sobre o governo eletrônico. Trata-se de algo extremamente necessário, e a boa notícia é que em nosso Estado estamos mais avançados do que parece, e “anos-luz” à frente da média nacional.
O governo eletrônico é, basicamente, a junção de cinco linhas estruturais tecnológicas, orientadas pelos referenciais de governo:
1) capacidade de processar grandes volumes de dados;
2) comunicação plena de voz e dados;
3) documentação pública totalmente digital;
4) aplicativos integradores;
5) tomada de decisão constantemente coletivizada. Tudo isso com ações sincronizadas e escalonadas, uniformidade de entendimentos e compartilhamento de responsabilidades.
Os poderes públicos e seus agentes (de todos os escalões) precisam aprender a definir padrões e procedimentos e, depois disso, respeitar suas próprias definições, o que não é algo fácil na cultura tribal instalada nos meios políticos brasileiros.
Por que, em um mundo tão evoluído, com o avião, o celular e a Fórmula 1, ainda não conseguimos superar o clássico modelo grego de democracia? Evoluímos em quase tudo (velocidade, expectativa de vida, capacidade de comunicação), mas, em termos de democracia, involuímos, pois a democracia direta, na Grécia antiga, era melhor do que o modelo atual.
O que o governo eletrônico pode melhorar em nossas vidas? Poderemos participar realmente do poder e das decisões, constantemente, ajudando a construir serviços e soluções de melhor qualidade.
Se isso melhora, tudo melhora. Para aqueles que exercem o poder, em todos os níveis, vai ficar mais fácil administrar.
Os administradores poderão dissipar pressões, interesses e casuísmos que rondam os círculos do poder, passando a executar políticas com mais firmeza e segurança.
Em termos de democracia, não há que se criticar as exacerbações (“muita democracia”, como alguns dizem). Pelo contrário, quanto mais, melhor.
Nosso desafio é construir a ciberdemocracia direta, um modelo radical de participação 24/7 (sete dias por semana, vinte e quatro horas por dia), mais perfeita do que a democracia direta grega. Essa é a única saída viável que temos para a reconstruçao
do Estado contemporâneo, e só assim vamos assistir ao fim da corrupção, da violência, do desemprego perpétuo e de outros males crônicos da nossa sociedade hipercomplexa, confusa, violenta e conturbada.
As tecnologias estão disponíveis, basta querer, e lembrar da importante advertência de Negroponte (MIT), segundo o qual “a informática não tem mais a ver só com computadores, ela tem a ver com a vida das pessoas."
Hugo César Hoeschl, presidente do Centro de Informática e Automação do Estado de Santa Catarina (Ciasc)
Fonte: A NOTÍCIA
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